GT 3 - Saberes Insurgentes: Contracolonialidade, Cosmovisões e Pedagogia das Reesistências

Coordenação: Jaqueline Pereira, Marcela Amaral e Eliane Costa da Silva

Este Grupo de Trabalho parte da premissa de que o conhecimento não é propriedade exclusiva da universidade, mas sim um bem comum, produzido e disseminado em múltiplas arenas sociais. Inspirado nas tradições da educação popular (Paulo Freire), nas pedagogias contracoloniais (Nego Bispo) e nas epistemologias do Sul, o GT se propõe a pensar formas de produção de conhecimento que rompam com a hierarquia entre saber científico e saberes populares, tradicionais, comunitários e religiosos.

A pergunta central que nos orienta é: como pesquisadoras e pesquisadores podem atuar como intelectuais orgânicos, não no sentido de levar o conhecimento acadêmico para “salvar” as comunidades, mas sim de aprender com elas e forjar, coletivamente, ferramentas de análise e intervenção sobre a realidade? Interessam-nos particularmente os trabalhos que refletem sobre experiências concretas de extensão universitária crítica, pesquisa-ação participante, metodologias colaborativas e construção compartilhada de materiais didáticos e pedagógicos.

O GT também acolhe pesquisas sobre currículos e práticas pedagógicas na educação básica e superior, com ênfase em experiências que articulem escola, comunidade e território. Interessam-nos igualmente investigações sobre educação escolar indígena, quilombola e do campo, bem como sobre processos educativos formais e não formais desenvolvidos por movimentos sociais, comunidades tradicionais, coletivos culturais periféricos e comunidades religiosas de matriz africana, afro-brasileira, indígenas, populares e periféricas.
Acolhemos também pesquisas que investiguem o fenômeno religioso em suas interfaces com a produção de saberes, cosmovisões e práticas pedagógicas insurgentes. Interessa-nos compreender como as religiões, particularmente as de matriz africana/afro-brasileira, as cosmovisões indígenas, as expressões religiosas populares e periféricas, constituem sistemas de conhecimento, memória, resistência e transmissão de saberes que desafiam a colonialidade do poder e do saber. Interessam-nos ainda as análises sobre o papel das instituições religiosas em processos educativos formais e não formais, bem como as disputas em torno do lugar da religião na esfera pública e na educação.

O GT também se dedica à análise das dimensões epistêmicas do imperialismo e do colonialismo, investigando como a imposição de epistemologias eurocêntricas opera historicamente como violência epistêmica e como os processos de resistência contracolonial envolvem a recuperação, valorização e reelaboração de saberes subalternizados. Dessa forma, são bem-vindas:

a) pesquisas sobre educação popular e pedagogias libertadoras;

b) estudos sobre contracolonialidade e currículos escolares;

c) investigações sobre extensão universitária crítica e pesquisa-ação participante;

d) análises sobre metodologias colaborativas e produção compartilhada de conhecimento;

e) pesquisas sobre educação escolar indígena, quilombola e do campo;

f) estudos sobre processos educativos em movimentos sociais e comunidades tradicionais;

g) investigações sobre formação docente e práticas pedagógicas insurgentes;

h) pesquisas sobre religião como produtora de saberes, cosmovisões e pedagogias;

i) estudos sobre religiões de matriz africana, afro-brasileira, cosmovisões indígenas e expressões religiosas periféricas;

j) análises sobre violência epistêmica, colonialidade do saber e resistências contracoloniais;

k) investigações sobre o lugar da religião na educação e nas disputas da esfera pública.

São particularmente prioritárias as pesquisas que tenham como seus interlocutores: movimentos de educação popular; escolas públicas e comunidades escolares; comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais; movimentos sem-terra e sem-teto (dimensão educativa); coletivos de docentes da rede pública de ensino; terreiros e comunidades de matriz africana e afro-brasileira; lideranças religiosas de tradições populares e periféricas; movimentos inter-religiosos de defesa de direitos humanos; organizações de luta contra a intolerância religiosa.

Palavras-chave: Educação popular; Contracolonialidade; Saberes Tradicionais; Religião; Cosmovisões; Intolerância Religiosa; Intelectualidade Orgânica.